A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) ampliou os acordos transformativos com grandes editoras científicas internacionais, permitindo que pesquisadores brasileiros publiquem artigos em acesso aberto sem pagamento de taxas de processamento em milhares de periódicos.
Desde janeiro, autores vinculados a instituições que utilizam o Portal de Periódicos da Capes podem publicar sem custo em 1.738 revistas da Springer Nature e 1.619 da Elsevier. Um contrato semelhante com a Association for Computing Machinery (ACM) entrou em vigor em dezembro e inclui a coleção completa da entidade. O investimento previsto para os novos contratos é de R$ 1 bilhão ao longo de três anos.
Diferentemente dos contratos anteriores, que garantiam apenas o acesso à leitura de conteúdos científicos, os novos convênios passam a incluir também o pagamento das taxas de publicação. A expectativa é de que, anualmente, sejam publicados cerca de seis mil artigos nos periódicos da Springer Nature, 12 mil na Elsevier e 600 na ACM, ampliando a presença de pesquisas brasileiras em acesso aberto.
Nos casos da Springer Nature e da Elsevier, o acordo abrange principalmente periódicos de modelo híbrido – revistas que cobram assinatura, mas permitem publicação em acesso aberto mediante pagamento de taxa. Títulos da coleção Nature, por exemplo, permanecem disponíveis apenas para leitura.
VISIBILIDADE
Os chamados acordos transformativos têm como objetivo apoiar a transição gradual do modelo baseado em assinaturas para o acesso aberto. Por meio deles, recursos antes destinados à leitura passam a cobrir custos de publicação, promovendo maior visibilidade internacional da produção científica.
Segundo a Capes, poderão usufruir do benefício pesquisadores vinculados às 452 instituições que integram o Portal de Periódicos, incluindo estudantes de pós-graduação. A validação do vínculo institucional ocorre principalmente por meio do cadastro na Plataforma Sucupira. A isenção das taxas deverá ser automática após a aceitação do artigo, desde que atendidas as regras específicas de cada editora.
A agência já havia firmado acordos semelhantes com a American Chemical Society (ACS), o Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), a Wiley e a Royal Society Publishing (RSP). Entre maio de 2024 e novembro de 2025, mais de 4 mil artigos com autores correspondentes brasileiros foram publicados nessas editoras, com economia estimada de US$ 13 milhões em taxas de publicação.
Especialistas destacam que a iniciativa reforça a política de ciência aberta no país, mas apontam a importância de também fortalecer periódicos nacionais, como os da coleção SciELO, para ampliar a competitividade brasileira na comunicação científica internacional.
Com informações da Revista Pesquisa FAPESP