Quatro dirigentes da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) integram o rol de especialistas que contribuíram para a nova edição do relatório “Tendências no Ensino Superior para 2026”. O documento, lançado pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) em parceria com o Consórcio STHEM, reúne a visão de 110 especialistas para orientar o planejamento estratégico das Instituições de Ensino Superior (IES) no próximo ciclo.
O presidente da ANUP, Juliano Griebeler, está no eixo “Sustentabilidade, ODS e ESG”, onde ele projeta a urgência de qualificar a força de trabalho para o mercado de “empregos verdes”, que pode gerar mais de 10 milhões de postos no Brasil até 2030. Juliano destaca que o sucesso da agenda ESG depende de uma colaboração multisetorial – reunindo setor público, setor privado, academia e organizações da sociedade civil – e defende que as IES realizem o mapeamento de riscos climáticos para fundamentar planos de emergência e adaptação escolar.
No capítulo “Liderança e Gestão”, a conselheira Beatriz Maria Eckert-Hoff analisa a liderança orientada por propósito como o pilar que sustenta a identidade e a legitimidade institucional em ambientes de rápida aceleração tecnológica. Em sua contribuição, ela aponta para a necessidade de institucionalizar o uso estratégico de dados e inteligência artificial sob rígida governança ética e segurança da informação, tratando o desenvolvimento docente não como ação isolada, mas como política estratégica permanente onde o professor atua como curador ético de experiências.
Paralelamente, o conselheiro Janes Fidélis Tomelin contribui no eixo de “Modelos Acadêmicos”, destacando a consolidação definitiva do ensino semipresencial para 2026, modalidade que exigirá das instituições infraestrutura robusta e o domínio da tecnologia como competência-chave. Janes defende, ainda, currículos flexíveis que aproximem a academia do ambiente profissional e aponta as microcertificações e badges digitais como o maior ativo de empregabilidade na chamada “economia das competências”.
Já o coordenador da Rede de Educação Médica da ANUP, Dr. Silvio Pessanha Neto, detalha os desafios no eixo “Futuro dos Cursos de Medicina”, sinalizando um momento de inflexão para o setor: a transição de um modelo focado meramente em autorizações para um sistema orientado pela qualidade comprovada e pela diferenciação reputacional. Silvio ressalta que a sustentabilidade das escolas médicas dependerá de projetos pedagógicos coerentes com o Sistema Único de Saúde (SUS) e propõe a formação médica como uma trajetória longitudinal, integrando tecnologias como a telemedicina e a inteligência artificial como “copilotos” do raciocínio clínico e da humanização do cuidado.
O relatório está disponível, gratuitamente, para download no site do SEMESP, clicando aqui.