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As perspectivas de governabilidade para 2027 e os possíveis impactos da agenda política e econômica sobre o Ensino Superior particular foram tema de um webinar realizado pela Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), na última terça-feira, 27. O encontro foi exclusivo para associados e contou com a participação do analista político Leonardo Barreto e foi conduzido pelo presidente da Associação, Juliano Griebeler.

A análise abordou a relação entre o Executivo e o Congresso Nacional, as prioridades do próximo mandato e os desafios para o planejamento das IES. No debate sobre educação, ganharam destaque os efeitos das mudanças na jornada de trabalho, o financiamento estudantil e a necessidade de articulação institucional para encaminhar as demandas do setor.

GOVERNABILIDADE E AGENDA ECONÔMICA

Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, Barreto avaliou que a capacidade de negociação com o Legislativo será determinante para a execução da agenda do governo. Segundo o analista, o fortalecimento de bancadas com maior identidade ideológica e as mudanças no espaço ocupado pelos partidos de centro deverão influenciar a formação de alianças e a tramitação de propostas.

Barreto também chamou atenção para a renovação geracional no Parlamento. Na avaliação dele, além de conhecer o posicionamento dos novos congressistas em pautas de valores, o setor produtivo precisará compreender suas ideias econômicas para identificar interlocutores e construir o diálogo sobre propostas de interesse comum.

Na área econômica, o analista discutiu as pressões sobre o orçamento e as escolhas entre ampliar políticas sociais e buscar maior equilíbrio fiscal. A definição da equipe de governo e de suas prioridades foi apontada como um elemento a acompanhar para avaliar não apenas a agenda anunciada, mas a capacidade de colocá-la em prática.

Griebeler ponderou que a força da oposição não significa, por si só, ausência de governabilidade. O presidente da ANUP destacou que a aprovação de matérias dependerá da articulação política e dos acordos construídos entre o governo e o Congresso.

CUSTOS E FINANCIAMENTO ESTUDANTIL

Os efeitos das mudanças na jornada de trabalho sobre o setor educacional, após a aprovação do fim da escala 6×1, estiveram entre as principais preocupações apresentadas no encontro. Griebeler destacou a situação das instituições que remuneram professores por hora-aula e os possíveis impactos das alterações no descanso semanal remunerado sobre a folha de pagamento.

O debate também abordou a dificuldade de absorver ou repassar aumentos de custos, especialmente nas IES de pequeno e médio porte. Foi discutida a possibilidade de articulação com outros setores da economia para buscar esclarecimentos sobre a regulamentação e as condições de adaptação às novas regras.

No caso do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Griebeler apontou que há algumas demandas do Ensino Superior particular que ainda precisam ser enfrentadas pelo governo, como a alta inadimplência e o teto de financiamento. A abertura de novos editais para cursos de Medicina no âmbito do programa Mais Médicos e a composição da equipe responsável pela política educacional também integraram a discussão.

Como frente de acompanhamento, Barreto propôs mapear os principais interlocutores envolvidos na organização do próximo governo, suas pautas e sua capacidade de execução. Griebeler, por sua vez, sugeriu novos encontros para aprofundar as demandas do Ensino Superior particular à medida que forem definidos os nomes e as prioridades da gestão.

O webinar pode ser visto ou revisto abaixo:

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