O Brasil ampliou a proporção de jovens com Ensino Superior na última década, mas ainda está distante da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, 24,2% haviam concluído o Ensino Superior em 2024. Em 2016, eram 19,2%. Na média dos países da OCDE, o percentual chegou a 47,4% em 2025, segundo o Education at a Glance 2026 – os dados do relatório foram divulgados no final de setembro.
Isso significa que a proporção de jovens brasileiros com formação superior ainda corresponde a pouco mais da metade da média da organização.
A diferença permanece quando se observa a população de 25 a 64 anos. No Brasil, 22,3% das pessoas nessa faixa etária tinham formação superior em 2024, enquanto a média da OCDE chegou a 42,6% em 2025.
Os dados reforçam um dos principais desafios da educação brasileira: ampliar o número de pessoas que chegam ao Ensino Superior e conseguem concluir a graduação.
ENSINO SUPERIOR, RENDA E EMPREGO
Apesar da menor proporção de graduados, o Brasil está entre os países em que a formação superior apresenta uma das maiores diferenças de rendimento em relação a níveis menores de escolaridade.
Entre trabalhadores de 25 a 64 anos ocupados em tempo integral ao longo do ano, aqueles com Ensino Superior recebem, em média, 138% a mais do que os que têm o Ensino Médio ou uma formação pós-secundária não superior como maior nível de escolaridade. Na média da OCDE, essa diferença é de 54%.
Entre os mais jovens, o resultado também é expressivo: brasileiros de 25 a 34 anos com Ensino Superior recebem, em média, 104% a mais do que aqueles da mesma faixa etária cuja maior escolaridade é o Ensino Médio ou equivalente. Na média da OCDE, a vantagem é de 38%.
A escolaridade também está associada a diferenças na participação no mercado de trabalho, pois, entre os brasileiros de 25 a 64 anos com formação superior, 86% estavam empregados. O percentual era de 75% entre aqueles com Ensino Médio ou equivalente e de 61% entre os que não haviam concluído essa etapa.
Os números não significam que o diploma, isoladamente, determine a renda ou a trajetória profissional. A área de formação, as competências, a experiência e as características do mercado de trabalho também influenciam esses resultados. Ainda assim, os indicadores mostram que a formação superior continua associada a melhores resultados de emprego e renda no Brasil.
IES PARTICULARES
O tamanho do desafio brasileiro também coloca as Instituições de Ensino Superior particulares em um lugar central na discussão sobre a expansão da formação superior.
Segundo o Censo da Educação Superior 2024, do Inep, o Brasil tem 10,23 milhões de matrículas em cursos de graduação – deste total, 79,8% estão em IES particulares, aproximadamente 8,16 milhões de estudantes (os números de 2025 ainda não foram divulgados).
Os dados do Inep e da OCDE medem aspectos diferentes do sistema educacional, mas, observados em conjunto, ajudam a dimensionar o desafio para os próximos anos: o país ainda precisa aumentar significativamente a proporção da população com Ensino Superior, enquanto quase oito em cada dez matrículas de graduação já estão no setor particular.
Para Juliano Griebeler, presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), os resultados ajudam a colocar o debate sobre expansão do Ensino Superior em perspectiva.
“Considerando esses números, entendemos que o Brasil ainda tem uma proporção de jovens com Ensino Superior muito abaixo da média da OCDE, ao mesmo tempo em que a formação continua associada a ganhos importantes de renda e empregabilidade. Precisamos discutir como ampliar esse acesso com qualidade e criar condições para que mais estudantes consigam concluir a graduação e transformar essa formação em oportunidades profissionais”, afirma.
Com informações do Education at a Glance 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Inep