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A Rede ANUP de Educação Médica realizou, na última quarta, 29, uma reunião de trabalho para discutir o cronograma do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2026, publicado no Edital nº 49, de 24 de abril de 2026. Embora o calendário tenha sido inserido no edital geral do Enade 2026, o encontro concentrou-se nos efeitos específicos da nova edição do exame para os cursos de Medicina e para as Instituições de Ensino Superior (IES).

Segundo as discussões realizadas no encontro – que reuniu cerca de 80 pessoas entre reitores, pró-reitores, coordenadores de curso e professores, representando centenas de cursos de Medicina – a avaliação foi considerada um modelo relevante para aferição da proficiência dos estudantes, mas ainda com pontos que demandam aperfeiçoamento. Entre eles estão maior transparência nos critérios adotados, previsibilidade regulatória, segurança jurídica para as IES e melhor definição dos efeitos acadêmicos e regulatórios dos resultados.

Conforme o cronograma divulgado, a prova objetiva do Enamed será aplicada em 13 de setembro, com etapas prévias de cadastro, indicação do local de prova e preenchimento do Questionário do Estudante. Para os participantes da Rede ANUP de Educação Médica, a antecedência da prova representa avanço, mas a divulgação dos resultados apenas em dezembro mantém preocupações quanto ao impacto institucional e ao calendário acadêmico, especialmente diante do uso dos dados em processos de acompanhamento, regulação e seleção para residência.

QUARTO ANO

A reunião também discutiu uma das novidades da edição de 2026, como a inclusão de estudantes do quarto ano de Medicina. De acordo com as contribuições apresentadas, a aplicação dessa prova em caráter diagnóstico e formativo abre espaço para acompanhamento mais cedo do percurso do estudante, mas ainda levanta dúvidas sobre engajamento dos alunos, critérios de uso institucional dos resultados e necessidade de normativas mais claras para eventual aproveitamento acadêmico desses dados.

Outro eixo relevante do debate foi a defesa de que o Enamed não substitua, como insumo isolado, a lógica mais ampla de avaliação dos cursos de Medicina. Os participantes da reunião reforçaram a importância de preservar o Conceito Preliminar de Curso (CPC) como indicador prioritário de qualidade e alertaram para riscos de distorção caso a nota do exame passe a concentrar, sozinha, efeitos regulatórios mais amplos.

Entre as sugestões reunidas pela Rede ANUP de Educação Médica estão o aprimoramento da matriz de referência, a definição mais robusta dos pontos de corte, a ampliação da transparência metodológica, a criação de regras discutidas previamente com as entidades do setor e o desenvolvimento de planos de recuperação formativa para estudantes não proficientes. Também houve a defesa de maior clareza sobre o uso dos resultados do quarto ano pelas IES e sobre o tratamento dos dados do exame ao longo do tempo.

A reunião integrou a agenda liderada pela ANUP sobre o Enamed e reforçou a intenção da entidade de seguir em diálogo com o Ministério da Educação e o Inep para propor melhorias ao exame. Ao final do encontro, ficou definida a elaboração de uma Nota Técnica da ANUP, com base nas contribuições apresentadas, a fim de subsidiar as próximas agendas institucionais sobre o exame.

Remodal