A construção de indicadores para acompanhar a trajetória dos egressos do Ensino Superior e a inserção deles no mercado de trabalho foi discutida em seminário promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nos dias 29 e 30 de outubro, em Brasília. A Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) foi representada por Luiz Alvares, fundador da NumbersTalk, empresa parceira da entidade na frente de inteligência de dados sobre educação.
O encontro reuniu estudos sobre egressos de graduação e de ensino técnico, com o propósito de endereçar o acompanhamento exigido metas 13 e 15 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2026–2036. As discussões abordaram metodologias de acompanhamento dos profissionais formados e as possibilidades de utilização desses dados para orientar políticas educacionais, avaliações e decisões das instituições.
“É importante que o Ensino Superior particular participe da construção desses indicadores desde o início. Eles precisam considerar as diferenças entre cursos, mercados de trabalho regionais, perfis e propósitos profissionais dos estudantes com indicadores que nos ajudem a compreender a contribuição da formação para a trajetória dos egressos, e orientem cursos e metodologias de avaliação”, avalia Luiz Alvares.
DIVERSIDADE DE TRAJETÓRIAS
As apresentações mostraram diferentes métodos de acompanhamento, com predominância de estudos de caso de universidades e institutos federais. A participação do Ensino Superior particular foi mais restrita, especialmente nas abordagens quantitativas voltadas à construção de indicadores baseados em estatísticas nacionais.
“Precisamos ampliar essa participação, uma vez que as IES particulares concentram o maior número de matrículas e ingressantes na graduação. Representar a ANUP nessa discussão permite identificar essas lacunas e contribuir para metodologias que reflitam a diversidade do setor”, completa Luiz Alvares.
Um dos desafios é contemplar trajetórias que não se limitam ao emprego formal: empreendedorismo, atuação como profissional liberal e continuidade dos estudos exigem fontes de informação e critérios de análise distintos. O mercado de trabalho está em um momento de mudança acelerada, e os impactos variam conforme a área de formação, o mercado de trabalho local e as condições dos estudantes no ingresso.
Nesse contexto, o uso de medidas simplificadas pode produzir interpretações inadequadas sobre os resultados dos cursos. A diversidade dos estudos apresentados mostrou que a construção de indicadores para finalidades de avaliação e eventual regulação ainda demanda desenvolvimento metodológico, e um conjunto de medidas abrangente para dar conta de realidades e caminhos distintos.
BASES DE DADOS E REPRESENTATIVIDADE
O seminário também abordou as possibilidades e as limitações do uso de registros administrativos, como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), e de pesquisas realizadas diretamente com egressos. Enquanto o acesso e a integração de bases envolvem dificuldades técnicas e legais, os levantamentos por questionário enfrentam baixo engajamento e problemas de representatividade.
Outro ponto de atenção foi a capacidade das Comissões Próprias de Avaliação (CPAs) de incorporar novas demandas de acompanhamento. Foram colocadas questões sobre a continuidade e comparabilidade das pesquisas e resultados e a disponibilidade de recursos alocados com prioridade para realizar esse acompanhamento.
Os temas discutidos no seminário também estão presentes na proposta de acompanhamento de egressos em desenvolvimento pela ANUP e pela NumbersTalk, com piloto previsto para novembro deste ano. A metodologia prevê um instrumento comum aplicado pelas IES e ajustes estatísticos (pós-estratificação) para corrigir vieses de participação, considerando informações de bases públicas, localidade, e perfil socioeconômico dos estudantes.
A proposta busca produzir indicadores sobre a contribuição da formação para a inserção profissional, a qualidade dessa inserção e a mobilidade dos egressos, explicitando as incertezas dos resultados.