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Professores, coordenadores e gestores de instituições de ensino superior (IES) têm variadas opções de metodologias de ensino para implementar no currículo de um curso. Essa tomada de decisão pode ser influenciada por livros, consultorias, matérias publicadas. Pertinente também é entender como os alunos gostam de aprender.

Victor Aguiar, de 21 anos, por exemplo. Estudante de bacharelado interdisciplinar em Humanidades na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, prefere aprender através da aprendizagem baseada em projetos. “Para mim, a prática é a melhor forma de aprendizagem”, afirma.

Conhecida também pelas siglas ABP e PBL, de Project Based Learning, a aprendizagem baseada em projetos oferece aos estudantes a oportunidade de identificar problemas reais e agir de maneira colaborativa em busca de solução. Ela é fundamentada na crença de que alunos aprendem melhor por meio de práticas e experiências ativas.

A abordagem costuma despertar o lado crítico, criativo e colaborador – tudo ao mesmo tempo. A principal função da aprendizagem baseada em projetos é dar realidade ao ensino, tornando-o mais atrativo, sem impor os conteúdos de forma passiva. Na execução dos projetos, fica explícita a possibilidade de mobilizar diferentes áreas do conhecimento para atingir os objetivos traçados e resolver os problemas.

Para a pesquisadora e especialista em metodologia baseada em projetos, Renata Perrenoud, essa abordagem faz o aluno colocar a mão na massa, desenvolvendo as competências exigidas no mercado atual. “Isso motiva e engaja o aluno no seu processo de aprendizagem”, diz. Segundo ela, os resultados promissores fazem um número crescente de IES aderirem à técnica.

Marina Penna e Silva, 23 anos, estudante de Design na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, acredita que a elaboração de soluções para problemas reais é mais dinâmica, ativa e útil. Além de aumentar o interesse e, consequentemente, a imersão do aluno no assunto abordado.

Mas ela também gosta das aulas expositivas. “Dependendo do assunto e da dinâmica do professor, eu gosto”, diz Penna e Silva. Pedro de Carvalho Estrada, 18 anos, estudante de Letras na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo (SP), também gosta do formato. “Sou muito fã de aulas expositivas, se bem feitas.”

Eles não estão sozinho nessa, de acordo com um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. A pesquisa concluiu que estudantes costumam avaliar mal o próprio aprendizado. Por isso atividades que exigem baixo esforço cognitivo, como ouvir passivamente a uma aula, são as preferidas dos estudantes. As metodologias ativas, com atividades mão na massa, de resolução de problemas em grupo e inversão da sala de aula, são pouco citadas como a melhor forma de aprender.

A dinâmica de atividades em grupo pode fazer com que os alunos se sintam frustrados e conscientes de sua falta de compreensão. Entretanto, o estudo concluiu que, quanto mais esforço prático envolvido na aprendizagem, mais os alunos aprendem. E essa é uma das características de uma abordagem ativa e centrada no aluno.

No final do estudo, os alunos mostraram uma preferência por aulas expositivas, avaliando-as de forma mais positiva em termos de engajamento e aprendizado. O problema? Eles pontuaram menos nos testes em comparação com seus colegas que estavam em salas de aula de aprendizado ativo.

Isabella Piffer, 19 anos, é estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo em uma universidade federal com sede em Curitiba. Ela iniciou os estudos em 2020, ano em que eclodiu a pandemia de covid-19. Isto significa que ela praticamente não conhece a rotina de um campus.

Apesar de preferir uma aprendizagem interativa e com metodologias ativas, como a gamificação e a sala de aula invertida, Piffer não tem contato com essas práticas. Ela lamenta, inclusive, que algumas disciplinas de viés prático acabam se tornando teóricas devido ao ensino remoto.

Mas não precisa ser assim. Com a evolução das tecnologias educacionais, atividades práticas anteriormente reservadas ao modelo presencial agora podem ser simuladas em laboratórios e ambientes virtuais de aprendizagem. Durante a pandemia, os laboratórios virtuais foram indispensáveis para que os alunos não fossem (ainda mais) prejudicados pela restrição da presencialidade. Mais uma prova de que a tecnologia não é inimiga, mas uma das principais aliadas da aprendizagem.

Fonte: Desafios da Educação

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