A Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) acompanha com atenção o debate suscitado pela reportagem do Valor publicada nesta terça, 7, sobre diferenças de preço entre cursos on-line e semipresenciais, com base em levantamento do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior (Semesp).
A ANUP reconhece a relevância do trabalho técnico produzido pelo Semesp, mas entende que os dados apresentados, neste momento, não permitem conclusões amplas sobre o comportamento do setor, sobretudo porque retratam uma fase de transição regulatória, em que as regras do novo marco ainda não foram plenamente absorvidas por todas as instituições.
É importante considerar que as instituições partiram de realidades muito diferentes: algumas já operavam com maior presencialidade e estrutura mais próxima do modelo hoje exigido; outras ainda estão em processo de adaptação acadêmica, operacional e de comunicação com os estudantes. Esse descompasso afeta a composição de custos, a estratégia comercial, a própria percepção de valor dos cursos ofertados e também a distribuição dos portfólios entre EaD e semipresencial.
Soma-se a isso a conhecida dificuldade de mensurar preços no mercado de Ensino Superior, especialmente nas modalidades não presenciais, em razão da heterogeneidade da oferta, das diferenças regionais, da disponibilidade e da qualidade das fontes de dados e do fato de que essas bases nem sempre refletem a participação real das matrículas no país. Também há efeitos de reclassificação de cursos de EaD para semipresencial, o que tende a contaminar as amostras e a enviesar a leitura dos dados neste momento de transição.
Por isso, os dados apresentados não podem embasar conclusões amplas sobre o custo real do modelo semipresencial nem sobre o comportamento futuro das mensalidades. Até a implementação completa das novas regras, cujo processo se estende até 2027, o que existe é um cenário ainda em acomodação.